lisboa não cai do avesso,
todas as tragédias tão tolas
se em teus braços amanheço
de ópio, tonto e mínimo,
me faz menor, para que eu caiba,
não me afronta, eu pisco,
lembrei agora da árvore
de natal na sala, pleno abril quase seco,
faz frio, tem algo errado,
fecha a janela, dormir, e não deixa
que cada segundo passe
como se fosse maçã ou pêssego,
enrola bem em jornal,
é que não amasse,
planta a semente
que nasce outra breve
árvore inteira, caminho todo de folhas quiçá
sabe ontem?, fossem patas-de-elefante,
mas não foi nada, eu jurei,
essas palavras fiz banais, serestas
tu me fazem dormir, mas eu
(sempre volta a eu - poxa -
qual eu?
tal ontem)
ouvi saídos de minha boca
todo um cortejo de napoleões,
luíses até o vigésimo nono
ditosas capas carmim e brocados
dentro do coração, as vontades
urrantes de desespero, manadas
pragas danações quebrantos, a fome
de quem vai à míngua forte e sempre, não!,
me encontro, me faço
aos seus usos, seus laços,
o seu nome sagrado, minha garganta,
apóstrofo tal membrana você'eu
e segredo no pé do ouvido, carinho
tu me mete no bolso e não
sei nem se quero saber, sei lá,
respirar, subir, zarpar, o sono
me toma embalado no berço que sim
some daqui, belzebu!,
salvar o mundo é o caralho!,
me deixa quietinho dormir,
tô cansado que nem o cu!,
e tu
inventou casulo, me fez canja cantando
que eu ia embelezar seu mirar, e
parece camisa-de-força, confesso
que tá fazendo muito frio lá fora e cinza
aqui não tem vez, obrigado,
as luzes acesas, o aquecedor,
quieto, eu, abobado, seu zinho, só seu,
decanto tornados fácil,
das desgraças fiz suspiro
se em teus braços, de doce, amanheço
dessa balbúrdia me retiro.